Queridos Alunos Estou disponibilizando uma Prova de Interpretação de texto para que possam afiar suas habilidades em Lingua Portuguesa. Aproveitem o final de semana. Nos próximos dias disponibilizarei o gabarito. BOA SORTE!!!
LÍNGUA PORTUGUESATEXTO 1 – A RIO-SÃO PAULO TEM 61 ANOS
Jornal dos Transportes – julho de 1969
A primeira viagem de automóvel entre o Rio e São Paulo foi realizada em 876 horas. O herói da façanha foi o Conde Lesdain, que trouxe da França o seu carro “Brassiler”. A viagem teve início às cinco horas do dia 7 de março de 1908, há portanto, 61 anos, e terminou às 17,24h de 12 de abril, percorrendo os mesmos caminhos do Século XVIII.
Depois da duplicação da Rodovia Presidente Dutra, feito expressivo da nossa engenharia, que exigiu a maior concentração de máquinas rodoviárias jamais verificada entre nós, o percurso entre as duas principais cidades brasileiras pode ser coberto em seis horas apenas.
Com a duplicação, o movimento diário da estrada elevou-se a duzentos mil veículos. O índice de acidentes, por outro lado, também aumentou, porque as novas pistas de mão única favorecem a imprudência dos motoristas, principalmente nos fins de semana.
A imprudência dos motoristas é observada por toda parte. Nas rodovias, porém, assume proporções alarmantes. Ao contrário do que muitos imaginam, dirigir nas estradas não é tarefa das mais fáceis, porque, além de perícia e habilidade, exige contínua e redobrada atenção, em função da velocidade e da distância a percorrer.
[....] As estatísticas demonstram que o número de mortos e feridos em desastres rodoviários na maioria dos países industrializados é, hoje em dia, maior que o de qualquer outro tipo de acidentes, como acontece, por exemplo, nos Estados Unidos, onde, nas suas magníficas estradas, registram-se os mais elevados índices. A solução, portanto, é atender rapidamente os feridos, no próprio local do acidente, quando necessário, para salvar o maior número de vítimas. Foi observado, em relação à nossa principal rodovia, que, graças a medidas postas em prática, tem diminuído o número de mortes, embora o de desastres continue em escala crescente.
01 - “A primeira viagem de automóvel entre o Rio e São Paulo foi realizada em 876 horas”; o item abaixo em que a reescritura dessa frase inicial do texto ALTERA o seu sentido original é:
(A) Foi realizada em 876 horas a primeira viagem de automóvel entre o Rio e São Paulo;
(B) Entre o Rio e São Paulo, a primeira viagem de automóvel foi realizada em 876 horas;
(C) 876 horas foi o tempo de duração da primeira viagem de automóvel que foi realizada entre o Rio e São Paulo;
(D) Realizou-se em 876 horas a primeira viagem de automóvel que foi realizada entre o Rio e São Paulo;
(E) A primeira viagem de automóvel, em 876 horas, realizou-se entre o Rio e São Paulo.
02 - Ao utilizar o vocábulo “façanha”, dizendo que o Conde Lesdain foi “o herói da façanha”, o autor do texto quer destacar:
(A) as dificuldades enfrentadas na viagem;
(B) o valor histórico do feito;
(C) um fato inexpressivo;
(D) as qualidades da estrada;
(E) a duração da viagem inicial.
03 - Sabendo que os numerais ordinais são classes de palavras que indicam uma sucessão, o item abaixo que mostra um exemplo de numeral de valor ordinal é:
(A) 61 anos;
(B) Século XVIII;
(C) 876 horas;
(D) cinco horas;
(E) às 17,24 h.
04 - “876 horas”, “às cinco horas”, “às 17,24h”; a observação correta sobre um desses segmentos do texto é:
(A) “876 horas” poderia ser abreviado em “876hs.”;
(B) “às cinco horas” poderia ser abreviado em “às 5hs.”;
(C) “às 17,24h” tem a forma abreviada incorretamente;
(D) em “876 horas”, o vocábulo “horas” não deve ser abreviado;
(E) em “às cinco horas”, o vocábulo “horas” não pode ser abreviado.
05 - “A viagem teve início...”; o segmento “teve início” pode ser corretamente substituído por “começou” ou “principiou”; o item abaixo em que o segmento sublinhado NÃO apresenta uma substituição adequada é:
(A) o problema
teve solução = solucionou;
(B) a viagem
teve fim = terminou;
(C) o conde
teve disposição = dispôs-se a;
(D) o conde
teve prazer em viajar
= gostou de;
(E) os carros
têm obrigação de parar nos sinais
= devem.
06 - “o conde trouxe da França o seu carro “Brassiler”; a reescritura dessa frase (substituiu-se nela o pronome relativo pelo antecedente) que apresenta uma forma
INADEQUADA é:
(A) o conde trouxe o seu carro “Brassiler” da França;
(B) da França é que o conde trouxe o seu carro “Brassiler”;
(C) o seu carro “Brassiler” foi trazido da França pelo conde;
(D) Foi trazido da França pelo conde o seu carro “Brassiler”;
(E) o carro “Brassiler”, o conde o trouxe da França.
07 - “A viagem teve início às cinco horas do dia 7 de março de 1908, há portanto, 61 anos”; a conclusão presente nesse segmento do texto:
(A) leva em consideração o valor histórico do feito;
(B) apresenta cálculo equivocado no número de anos;
(C) tem como ponto de referência a data da publicação do artigo;
(D) valoriza o trabalho do governo na construção de estradas;
(E) destaca a rápida passagem de tempo de uma obra grandiosa.
08 - No início do segundo parágrafo, é dito que houve “duplicação” da Rodovia Presidente Dutra; o termo entre aspas significa que:
(A) a rodovia teve duplicada a sua extensão;
(B) o tráfego de veículos teve seu movimento duplicado;
(C) houve a construção de uma nova rodovia entre as duas cidades;
(D) dividiram o movimento de veículos em duas mãos de direção;
(E) houve ampliação do número de vias em cada mão de direção.
09 - Pelo que é dito no segundo parágrafo, a redução do tempo de duração da viagem entre as cidades do Rio e São Paulo deve-se à(ao):
(A) duplicação da rodovia;
(B) engenharia brasileira;
(C) concentração de máquinas;
(D) trabalho realizado pelo conde;
(E) aproximação entre as duas cidades.
10 - “Com a duplicação,...”; o conector “com” só
NÃO pode ser substituído de forma adequada por:
(A) a partir de;
(B) por causa de;
(C) em razão de;
(D) apesar de;
(E) depois de.
11 - Segundo o que nos é dito no terceiro parágrafo, o número de acidentes aumentou porque:
(A) houve aumento de motoristas imprudentes nos fins de semana;
(B) as estradas de mão única fazem aumentar a velocidade dos veículos;
(C) quanto maior o tráfego de veículos, maior é o número de acidentes;
(D) a imprudência dos motoristas aumenta nos fins de semana;
(E) houve progresso tecnológico na velocidade dos automóveis.
12 - O fato de relacionar o aumento de acidentes a fins de semana traz implícita a idéia de que:
(A) os motoristas de fins de semana não estão habituados às estradas;
(B) as estradas têm maior movimento nos fins de semana;
(C) nos fins de semana há menor fiscalização nas estradas;
(D) todos os motoristas de fins de semana abusam da bebida;
(E) muitos motoristas de fins de semana não possuem habilitação legal.
13 - “...por toda parte” é semanticamente diferente de “por toda a parte”; o item em que o emprego do artigo muda substancialmente o sentido do segmento é:
(A) meu país construiu estradas / o meu país construiu estradas;
(B) Lula foi eleito presidente / o Lula foi eleito presidente;
(C) servir a francesa / servir à francesa;
(D) ler em livros importados / ler nos livros importados;
(E) graças a investimentos estatais / graças aos investimentos estatais.
14 - “A imprudência dos motoristas é observada por toda parte”; esta frase, na voz ativa, apresenta a forma:
(A) Observa-se a imprudência dos motoristas por toda parte;
(B) Toda parte observa a imprudência dos motoristas;
(C) Por toda parte se observa a imprudência dos motoristas;
(D) Observam a imprudência dos motoristas por toda parte;
(E) Por toda parte é observada a imprudência dos motoristas.
15 - “A imprudência dos motoristas é observada por toda parte. Nas rodovias, porém, assume proporções alarmantes”; a mesma idéia veiculada nos segmentos destacados pode ser observada em:
(A) apesar de assumir proporções alarmantes nas rodovias, a imprudência dos motoristas pode ser observada em toda parte;
(B) já que assume proporções alarmantes nas rodovias, a imprudência dos motoristas pode ser observada em toda parte;
(C) a imprudência dos motoristas pode ser observada em toda parte, portanto, assume proporções alarmantes nas rodovias;
(D) a fim de assumir proporções alarmantes nas rodovias, a imprudência dos motoristas é observada em toda parte;
(E) quando assume proporções alarmantes nas rodovias, a imprudência dos motoristas em toda parte pode ser observada.
16 - “As estatísticas demonstram que o número de mortos e feridos em desastres rodoviários na maioria dos países industrializados é, hoje em dia, maior que o de qualquer outro tipo de acidentes”; infere-se desse segmento do texto que:
(A) nos países não industrializados, o número de mortos e feridos em acidentes rodoviários é igual ao dos outros tipos de acidentes;
(B) outros tipos de acidentes, antes da industrialização, não causavam tantas mortes quanto agora;
(C) os países industrializados mostram diferenças na relação entre mortos e feridos em acidentes rodoviários e em outros tipos de acidentes;
(D) sempre que cresce a industrialização de um país, cresce o número de mortos e feridos em acidentes rodoviários em relação a outros tipos de acidentes;
(E) futuramente a relação entre mortos e feridos em acidentes rodoviários e em outros tipos de acidentes será ainda maior.
17 - “...onde, nas suas magníficas estradas, registram-se os mais elevados índices”; a relação entre os dois segmentos desse fragmento do texto é bem expressa em:
(A) embora as suas magníficas estradas, registram-se os mais elevados índices;
(B) por causa de suas magníficas estradas, registram-se os mais elevados índices;
(C) em vista de suas magníficas estradas, registram-se os mais elevados índices;
(D) depois de suas magníficas estradas, registram-se os mais elevados índices;
(E) a partir de suas magníficas estradas, registram-se os mais elevados índices.
18 - A frase que
NÃO apresenta qualquer exemplo de comparativo ou superlativo é:
(A) “atender rapidamente os feridos”;
(B) “registram-se os mais elevados índices”;
(C) “para salvar o maior número de vítimas”;
(D) “dirigir nas estradas não é tarefa das mais fáceis”;
(E) “exigiu a maior concentração de máquinas rodoviárias”.
19 - Segundo o que se depreende da leitura global do texto, sua principal motivação é:
(A) comemorar o aniversário da Rodovia Presidente Dutra;
(B) chamar a atenção para a duplicação da Rodovia Presidente Dutra;
(C) condenar o progresso sem as necessárias medidas de proteção;
(D) alertar para o perigo de acidentes nas estradas;
(E) elogiar a redução de mortos e feridos em nossas estradas.
20 - “percorrendo os mesmos caminhos do Século XVIII”; o comentário correto sobre esse segmento do texto é:
(A) o número romano, neste caso, deve ser lido como ordinal;
(B) a forma do gerúndio “percorrendo” equivale a “quando percorreu”;
(C) a forma desenvolvida da forma verbal reduzida é “após percorrer”;
(D) a forma passiva correspondente a “percorrendo” é “tendo percorrido”;
(E) “mesmos”, no contexto da frase, mostram valor de identidade.
TEXTO 2 – A ERA DO AUTOMÓVEL
João do Rio, Vida vertiginosa
E, subitamente, é a era do Automóvel. O monstro transformador irrompeu, bufando, por entre os escombros da cidade velha, e como nas mágicas e na natureza, aspérrima educadora, tudo transformou com aparências novas e novas aspirações. Quando os meus olhos se abriram para as agruras e também para os prazeres da vida, a cidade, toda estreita e toda de mau piso, eriçava o pedregulho contra o animal de lenda, que acabava de ser inventado em França. Só pelas ruas esguias dois pequenos e lamentáveis corredores tinham tido a ousadia de aparecer. Um, o primeiro, de Patrocínio, quando chegou, foi motivo de escandalosa atenção. Gente de guarda-chuva debaixo do braço parava estarrecida como se estivesse vendo um bicho de Marte ou um aparelho de morte imediata. Oito dias depois, o jornalista e alguns amigos, acreditando voar com três quilômetros por hora, rebentavam a máquina de encontro às árvores da rua da Passagem. O outro, tão lento e parado que mais parecia uma tartaruga bulhenta, deitava tanta fumaça que, ao vê-lo passar, várias damas sufocavam. A imprensa, arauto do progresso, e a elegância, modelo de esnobismo, eram os precursores da era automobilística. Mas ninguém adivinhava essa era. Quem poderia pensar na influência futura do automóvel diante da máquina quebrada de Patrocínio? Quem imaginaria velocidades enormes na carriola dificultosa que o conde Guerra Duval cedia aos clubes infantis como um brinco idêntico aos balanços e aos pôneis mansos? Ninguém! absolutamente ninguém.
- Ah! Um automóvel, aquela máquina que cheira mal?
- Pois viajei nele.
- Infeliz.
Para que ele se firmasse foi necessária a transfiguração da cidade. E a transfiguração se fez:ruas arrasaram-se, avenidas surgiram, os impostos aduaneiros caíram, e triunfal e desabrido o automóvel entrou, arrastando desvairadamente uma catadupa de automóveis. Agora, nós vivemos positivamente nos momentos do automóvel, em que o chofer é rei, é soberano, é tirano.
21 - “Para que ele se firmasse foi necessária a transfiguração da cidade”; a forma
INADEQUADA da reescritura desse segmento do texto é:
(A) Foi necessária a transfiguração da cidade para que ele se firmasse;
(B) Para que ele se firmasse a transfiguração da cidade foi necessária;
(C) A transfiguração da cidade foi necessária para que ele se firmasse;
(D) Necessitou-se da transfiguração da cidade para que ele se firmasse;
(E) Foi necessário, para que ele se firmasse, a transfiguração da cidade.
22 - A frase que
NÃO demonstra uma visão negativa do automóvel é:
(A) “O monstro transformador irrompeu, bufando...”;
(B) “...eriçava o pedregulho contra o animal de lenda”;
(C) “parava estarrecida como se estivesse vendo um bicho de Marte”;
(D) “rebentavam a máquina de encontro às árvores da Rua da Passagem”;
(E) “aquela máquina que cheira mal?”.
23 - “aspérrima educadora”; aqui temos uma forma erudita de superlativo do adjetivo “áspero”. O item abaixo que
NÃO mostra uma forma superlativa é:
(A) O automóvel é novo, novo, novo.
(B) O automóvel é novo pra burro.
(C) O automóvel foi bem rápido.
(D) O automóvel é rapidão!
(E) O automóvel teve novidades bastantes.
24 - “O monstro transformador irrompeu,
bufando, por entre os escombros da cidade velha”; “Oito dias depois, o jornalista e alguns amigos,
acreditando voar com três quilômetros por hora”. Os gerúndios sublinhados transmitem, respectivamente, idéias de:
(A) modo e tempo;
(B) tempo e causa;
(C) causa e condição;
(D) condição e meio;
(E) meio e modo.
25 - “aparências novas e novas aspirações”; a posição do adjetivo nesse segmento altera o seu significado. O mesmo pode ocorrer em:
(A) cidade velha e velha cidade;
(B) ruas esguias e esguias ruas;
(C) lamentáveis corredores e corredores lamentáveis;
(D) escandalosa atenção e atenção escandalosa;
(E) morte imediata e imediata morte.
26 - “Quando os meus olhos se abriram para as agruras e também para os prazeres da vida” apresenta uma antítese, ou seja, a presença de palavras de sentido oposto. O mesmo ocorre em:
(A) “O outro, tão lento e parado que mais parecia uma tartaruga”;
(B) “e triunfal e desabrido o automóvel entrou”;
(C) “o chofer é rei, é soberano, é tirano”;
(D) “Ruas arrasaram-se, avenidas surgiram”;
(E) “A imprensa, arauto do progresso, e a elegância, modelo do esnobismo”.
27 - “guarda-chuva” faz o plural da mesma forma que:
(A) guarda-pó;
(B) guarda-civil;
(C) guarda-noturno;
(D) guarda-costas;
(E) guarda-livros.
28 - “rebentavam a máquina de encontro às árvores”; a forma dessa mesma frase que
ALTERA o seu sentido original é:
(A) de encontro às arvores rebentavam a máquina;
(B) rebentavam a máquina ao encontro das árvores;
(C) a máquina era rebentada de encontro às árvores;
(D) de encontro às árvores a máquina era rebentada;
(E) rebentavam, de encontro às árvores, a máquina.
29 - Os dois automóveis são citados no primeiro parágrafo do texto para:
(A) mostrar a diferença entre os automóveis antigos e os modernos;
(B) indicar a presença marcante do automóvel desde seu aparecimento;
(C) demonstrar que o automóvel triunfou graças à imprensa;
(D) revelar a pouca expectativa de futuro para o automóvel;
(E) destacar as mudanças provocadas por eles no cenário urbano.
30 - O autor do texto cita que “os impostos aduaneiros caíram” para indicar que:
(A) os automóveis passaram a custar mais barato;
(B) as pessoas deixaram de viajar de navio;
(C) muitos automóveis chegavam aos portos;
(D) não se cobravam impostos sobre automóveis;
(E) o Brasil aboliu os impostos alfandegários.
EM BREVE TERÃO O GABARITO. AGUARDEM!!!